Viagem: três dias em Lençóis e algumas aventuras

A ideia inicial era viajar para o Vale do Capão, mas aproveitamos a passagem pela Chapada Diamantina para ficar alguns dias em Lençóis – e valeu a escolha! Foi um prazer conhecer a cidade, e pensando em quem nunca foi (como era meu caso), espero que essa experiência e algumas dicas de transporte (pra quem sai de Salvador), estadia, restaurantes e passeio sejam úteis pra você. ❤️

A linha aérea Azul é a única que tem voos para Lençóis, mas os dias e horas de saída de Salvador são restritos e por isso, dificilmente será menos de R$600, ida e volta. Em compensação, o percurso leva 45 minutos, enquanto de ônibus (Real Expresso), foram cerca de 8 horas de estrada. Mas a viagem foi tranquila e até passa num piscar de olhos pra quem tem facilidade de dormir. E esse, definitivamente, é o nosso caso! 😴

Chegamos! Lençóis é encantadora. Pequena e aconchegante, com construções antigas e uma beleza natural grandiosa ao redor. O sol estava de rachar, e com ele seguimos para acomodar nossas mochilas na pousada e descansar um pouco.

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Pesquisei a pousada no Booking, onde nos informamos sobre a diária, estrutura, a distância até o centro da cidade e lemos os comentários de outros hóspedes. E a escolhida foi a Bela Vista, que faz mesmo jus ao nome: o quarto que ficamos tem vista para a montanha (onde o sol se põe), e um rio próximo, que dá pra ir andando! Cerca de 10 minutos até chegar à trilha e mais uns 15 por ela. É de fácil acesso (alguns nativos até lavam roupas lá) e tem algumas piscinas naturais.

De volta à pousada… ela fica há 400 metros do centro e é preciso subir uma ladeira até lá, mas isso não foi um problema para nós. É simples, tem ventilador, ar condicionado, frigobar, e o banheiro é espaçoso e limpinho. Mas o bom mesmo é o atendimento dos donos, Aurea e Luciano, que nos receberam com carinho e prepararam um café da manhã delicioso (garantiram até nosso lanche para a trilha).

Durante o final de semana, neste período de alta estação, a noite estava relativamente movimentada. O centro da cidade tem duas ruas principais de casas coloridas que acomodam algumas lojinhas, lanchonetes, cafeterias e restaurantes. Mas é na frente do Bodega Restaurante Pizza Bar que quem gosta de música fica, junto com músicos da cidade, que se instalam com seus instrumentos e caixa de som para animar os turistas e nativos. E foi lá que ficamos!

Mas antes, brindamos com as cervejas artesanais locais, “Nomade” e “Lua Nova”, essa segunda tem um toque de café – a minha preferida! Dia seguinte, a parada gastronômica foi no Namoranga, onde comemos uma moqueca vegetariana maravilhosa e muito bem servida (R$40), feita pela chefe Leila Silva, com cajú e jaca, acompanhada por arroz, salada e farofa de soja como cortesia da casa. Já o almoço do dia da partida foi no O Bode, um restaurante à quilo que fica próximo à estação rodoviária e me surpreendeu com opções para vegetarianos (o feijão tropeiro, por exemplo, não tinha carne).

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Moqueca de jaca e cajú do Namoranga

Mas a passagem por Lençóis não parou por aí, e em pleno domingo, agendamos com a agência Zentur Ecoturismo um roteiro tradicional que começou às 8:30 e durou todo o dia, divido em curtas trilhas para conhecer lugares incríveis, começando pelo Rio Mucugezinho (dado pela vegetação ao redor) e um mergulho no Poço do Diabo, uma cachoeira com cerca de 20 metros de altura que ganhou esse nome por conta da sua história: Dizem que os senhores jogavam os escravos que desobedeciam lá de cima, mas seus companheiros conseguiam resgatá-los a tempo, por um caminho alternativo, e isso deixava os senhores intrigados, acreditando ser, na verdade, uma maldição.

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Depois partimos para a Gruta da Fumaça. Com capacete e lanterna nas mãos, entramos na caverna, e o guia foi nos contando sobre a estrutura (estalagmites, estalactites, rs), e tivemos a incrível oportunidade de experimentar o silêncio e escuro, por completo, sentindo toda a energia do local. Uma sensação única! E a vontade era de ficar ali.

Pausa para o almoço – muito bem servido -, no Restaurante Casa da Farinha. Comida com tempero caseiro, onde experimentamos um picadinho de cacto e suco de maracujá nativo (orgânico e mais refrescante que o daqui). E então, seguimos para a Fazenda Pratinha, um lugar lindo com rio de águas cristalinas cheio de peixinhos e outras atrações naturais: Gruta da Pratinha com passeio de flutuação (R$40 por pessoa);

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A Gruta Azul, que tem esse nome por conta da sua cor com a incidência do sol;

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Além de serviços de bar, tirolesa (R$20), passeio a cavalo, etc. Um lugar pra passar o dia!

Por fim, fomos ao Morro do Pai Inácio, que fica no município de Palmeiras e é um dos lugares mais requisitados da Chapada! A subida é íngreme – são cerca de 1.150m de altitude -, mas não é de difícil acesso. A vista é incrível e dá pra ver outros morros, como o do Camelo e os Três Irmãos. A sensação é de estar no topo do mundo e sentir o quanto somos pequenos diante de algo tão grandioso, ao mesmo tempo, que fazemos parte de tudo aquilo. ❤️ Foi uma experiência maravilhosa. E pra mim, a delícia de fazer muitas coisas pela primeira vez.

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Muitas pessoas que vão de carro optam por se aventurar a fazer o percurso e trilhas de forma independente, mas diante da experiência que tive, acho válido considerar o serviço da agência (R$180 por pessoa, incluindo transporte, guia, almoço e entrada em alguns pontos), principalmente quem não terá muito tempo de viagem. Sem contar que o passeio se tornou ainda mais divertido, seguro e informativo com a companhia da guia, do motorista e dos casais de Brasília e da Itália que seguiram junto com a gente!

No dia seguinte, compramos a passagem de ônibus para Palmeiras (sai às 5h, 13h ou 20h), onde ficam os transportes chamados rural que seguem para o Vale do Capão. Mas isso, já é viagem para um outro post…